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Os gigantes tomam conta do mercado

A cada momento percebemos a necessidade urgente de fusão de nossas pequenas cooperativas do Brasil. Recentemente recebi a notícia de que a Parmalat, Nestlé e Danone tornaram-se sócias na comercialização de seus produtos e aquisição de insumos. Criaram uma mega empresa mundial, chamada "Transora", que congrega 55 grandes conglomerados industriais, que juntas têm o PIB maior que o do Brasil, ou seja, a empresa tem um faturamento superior a US$600 bilhões anuais. E tem mais. Junto a estas gigantes mencionadas, estão a Coca-Cola e a Pepsi, que também são sócias; a Budweiser e a Heineken (concorrentes do ramo de cerveja) e a Unilever (dona da Gessy, da Cica e Arisco), Palmolive e Johnson & Johnson.

Em resumo, são enormes empresas mundiais que apenas com sua unidade no Brasil tornaram-se gigantes; enquanto nós, pequenas cooperativas estamos aqui debatendo entre nós; sem chegarmos a um denominador comum para conseguirmos trabalhar em conjunto. Enquanto continuamos batendo um no outro, no que se refere à concorrência, percebemos que a forma de comercialização de nossos produtos poderia ser bem melhor, caso o trabalho das cooperativas fosse em conjunto. Basta chegarmos aos supermercados para notarmos a influência das grandes redes, às vezes multinacionais, que dominam o setor de supermercados no mundo todo.

Com isso nosso poder de venda e compra é reduzido, pois estamos atendendo aos interesses das grandes redes de supermercados e dos grandes conglomerados de produção, que são nossos concorrentes. Assim, nós, pequenos "desorganizados", fazemos a festa para eles, que conseguem comprar de uma melhor forma, com lucros maiores. Enquanto os gigantes se unem e conversam entre si; os pequenos matam um ao outro, dando espaço para o grande apoderar-se daquele espaço. A falta de confiança dos dirigentes em não acreditar que um terceiro poderá realizar melhor trabalho pela empresa, do que o que vem sendo realizado por ele próprio, é fator crucial nesta discussão. Os dirigentes não admitem repassar para outra pessoa, seu cargo e junto com ele os passos da empresa.

Esta situação nos impede de criarmos novos segmentos de comercialização. Outro fator inibidor é a própria concorrência. Quando tentamos criar um novo modelo de comercialização, o concorrente das grandes redes, que é mais ágil, já está preparado para uma reação dos pequenos. A contra-reação deles é maior e inibe nossa primeira ação. Caso houvesse uma fusão, que transformasse os pequenos em grandes, estes acontecimentos seriam superados com maior facilidade.

João Del Rei da Costa - Presidente da Cofrul

 

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